segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Afinal, quem é a presa?

Realmente, quando a luta é entre Theo e qualquer humano aqui de casa, eu não sei o que responder. Em plena sanidade, qualquer um diria que seria os 40 centímetros de cachorro, mas quem conhece o bichano sabe que na brincadeira de caçador e lobo mau é ele quem sai sempre como vencedor, ou é vencido depois de muito cansaço.
É invejável seu apetite e o seu paladar apurado para coisas esdrúxulas. Folhas, madeiras, plásticos e tudo o que tiver pelo chão (até formigas e vaga-lumes) são traçado em questão de segundos.
Quando pega algo proibido, é fácil de perceber. Só há duas possibilidades. Ou, ouvimos o barulho de seus dentes a mastigar, ou ele se mostra o cão mais feliz e se esconde rapidamente (é isso que acontece na maioria das vezes). Bem, e começa a luta. Abre-se a boca e arranca o que tiver de lá.
E não é com essa facilidade e nem necessariamente nessa ordem. Primeiro ele aposta corrida para deixar-nos cansados – e nisso todos entram na brincadeira, e é assim que ele gosta mais – depois de puxarmos pelo rabo, pela orelha ou por qualquer membro que for mais fácil, tentamos arrancar o objeto de sua boca.
Só hoje (24 de janeiro) foram folhas, plástico e um pedaço de madeira. Haja energia!

Amor de papai, dengo de mamãe


Theo foi meu presente de natal – um pouco antecipado, diga-se de passagem – inusitado por dois motivos. Primeiro, ele não viverá (sempre) comigo. Segundo, ele é quase um cachorro de bolso.
Meu namorado, o presenteador, conversor com meu pai antes de me dar, já que eles seriam diretamente atingidos com esse presente. E confesso que ao trazê-lo para casa tive diversos medos. Achei que eles iriam se estressar com o pequeno cão, e mais, que o cão seria um mega destruidor da paz de um lar.
Ledo engano. Em pouquíssimos dias Theo se tornou o amor do papai e o dengo da mamãe e nem preciso dizer que isso é sinônimo de mimo, não é mesmo?

O primeiro Natal de Theo

Theo na casa da bisavó

Como de costume, minha família passa o Natal em São Paulo, com a minha avó materna. Nesse ano não foi diferente, mas a família Mera teve mais um componente: Theo.
Fiquei apreensiva, não posso negar. Viagem de carro (Theo tem náuseas), família grande (onde nem todos são fãs de animaizinhos pra lá de domésticos), crianças (que Theo adora morder) e duas cachorras (donas da casa, e o meu Theo seria apenas uma visita).
Para a minha surpresa (e felicidade) foi tudo muito melhor que eu esperava. Na ida, Theo não sentiu enjôo e ficou apenas 15 minutos acordado das quase três horas de viagem.
Além disso, foi bem recepcionado por todos e dormiu bem. Não teve medos dos fogos de artifício e dos rojões (isso me surpreendeu). Fez suas necessidades no jornal – o que impressionou os meus parentes, achando que ele é assim sempre.
Nem sempre é assim. Cachorros – e nesse caso, inclui-se o Theo - também sabem se fazer de bons moços...
Brincou e mordiscou pés e mãos. Correu atrás de saias e chinelos, enfim, se divertiu aos montes. E resultado: a volta da viagem foi melhor ainda. O seu cansaço o fez desmaiar de sono, acordando apenas a hora que chegou em casa.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Depois do Uno - Por Walcyr Carrasco

Há alguns meses perdi meu cachorro muito amado, o husky siberiano Uno. Sofri durante sua doença e compartilhei minha angústia através de uma crônica. Recebi centenas de e-mails e cartas, com pessoas relatando dores semelhantes. Lembro-me até de uma mensagem em que um rapaz contava jamais ter tido cachorro ou gato. Mas, apesar disso, se identificava com minha perda. Afinal de contas, perda é perda. Antes de Uno partir para a operação da qual não retornou, conversei com ele de noite, enquanto acariciava seus pêlos.

– Ah, Uno querido! Se você não voltar, foi um bom tempo que passamos juntos! Obrigado!

Dentro do meu coração, senti que ele entendeu!

Depois que Uno morreu, anunciei:

– Nunca mais quero ter cachorro! Nem gato, nem passarinho!

Disposto a manter minha palavra, recusei inúmeras ofertas de filhotes. Resolvi:

– A vida é mais fácil sem um cachorro. Posso viajar à vontade, sem preocupação.

Alinhavei mentalmente argumentos que provavam quanto era melhor não ter bicho nenhum.

No Ano-Novo, fui para Camburi, uma praia no Litoral Norte de São Paulo. Fiz tudo o que manda a tradição: pulei sete ondinhas, comi uvas, bebi champanhe. Depois da ceia, deitei na rede da varanda. No escuro, iluminados apenas por velas, eu e meus amigos jogávamos conversa fora. De repente, um enorme cachorro negro apareceu, vindo da rua. Fizemos sinais.

– Vem cá! – eu disse.

Ele veio. E me obedecia em tudo! A ponto de outra pessoa comentar:

– Esse cachorro parece que é seu!

Fiquei um longo tempo brincando com ele. Queria prendê-lo, mas na praia não tenho muros! Ele foi embora. No dia seguinte, descobri que dormiu na porta do condomínio. Decidi que seria meu. Prometi gorjetas aos caseiros da região. Saí a procurá-lo na praia. Não o encontrei de jeito nenhum.

Tempos depois, um amigo, Robson, foi para a mesma praia e me telefonou.

– Você quer mesmo aquele cachorro?

– Nunca mais quero ter cachorro, mas esse eu quero – respondi dentro de uma lógica inexplicável.

Eu estava no Rio de Janeiro. Passei uma semana péssima. Esqueci da conversa. Voltei fragilizado, em um momento difícil da vida. Quando cheguei a São Paulo, meu amigo me esperava em casa.

– Tem uma surpresa para você lá no quintal.

Era uma cachorrinha preta, vira-lata, magérrima.

– Aquele cachorro que você queria tem dono. Mas esta é uma prima dele!

Peguei o bichinho trêmulo no colo. Abracei. Robson explicou:

– Se você não quiser, minha tia fica com ela!

Mas eu não ia querer? Abracei-a e, é claro, dei nome de gente: Ísis. Se alguma Ísis se sentir ofendida, me perdoe! Dali a alguns dias, pensei:

– A Ísis precisa de companhia!

Uma conhecida achou uma vira-latinha abandonada, tentando atravessar a rua no meio de carros e motos. Salvou-a. Mandou uma foto por e-mail. Fiquei com ela: Morgana. Um outro amigo, Roberto, estava com um filhote peludo preso no apartamento pequeno. Abriguei o Cauê! De repente, fiquei com três cachorros!

Não bastou. Passei na vitrine de uma pet shop e me apaixonei por uma gata. Agora, dedico parte das noites a estabelecer relações diplomáticas entre a felina e os cães! Até que vai indo bem, com miados e latidos de parte a parte!

E então, no meio dessa confusão, me dei conta: a vida continua! Nunca vou esquecer do meu husky. Um cão não substitui outro, como uma pessoa também não. Mas sempre há espaço para mais sentimentos. A vida se renova. Melhor ainda, o amor sempre renasce! Além de reforçar meu eterno otimismo, essa certeza me desperta uma paz profunda!


[Publicada na Veja São Paulo em 24/10/2006]

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Meu cachorro - Por Walcyr Carrasco


Meu cachorro está doente. É um husky e tem 14 anos. Dizem os conhecedores da raça que 12 anos é o tempo normal de vida. Mas sempre tive esperança de que fosse muito além. A mãe viveu até os 17. Seu nome é Uno. Não é muito comum, mas tem um motivo. Meu irmão e minha cunhada, há muitos anos, resolveram montar um canil em Campinas. Só de huskies. Compraram macho e fêmea de uma linhagem gloriosa. O avô, importado do Canadá, foi até capa de revista especializada. Registraram o canil. Alimentaram o casal, deram vacinas e prepararam-se para fazer fortuna. Logo uma ninhada estaria a caminho. Meu irmão fez as contas. Na época, o husky era muito valorizado. Com um certo número de cãezinhos, teria um bom lucro!

– Serão dez, onze? – sonhava minha cunhada Bia.

Nasceu um. Sim, um somente! Ganhou o nome de Uno, e me foi dado de presente. A grana ficou na imaginação.

Uno me acompanha desde então, em várias fases da minha vida. Até no desemprego! Cheguei a escrever crônicas para uma revista canina usando seu nome e sua foto. Também um livro infanto-juvenil, Mordidas que Podem Ser Beijos, em que é o protagonista. Muita coisa inventei. Mas não sua mania de fugir de casa. Quando morei numa chácara na Granja Viana, Uno escalava o alambrado com a agilidade de um gato. Assim são os huskies, um tanto felinos. Disparava até o lago e fugia com um pato entre os dentes. Eu que me visse às voltas com a direção do condomínio – donos são para quebrar o galho, devem pensar os cachorros. Escondia-se na reserva florestal e só voltava ao entardecer, com o estômago cheio!

Um terror, o meu cachorro! Duas vezes, bravamente, capturou ouriços. Dezenas de espinhos penetraram seu pêlo. Entraram em sua boca. Eu nunca vira um espinho de ouriço. É duro, pontudo! Impressionante. Fiquei a seu lado enquanto o veterinário arrancava um por um.

Mudei para a cidade. Meu cachorro envelheceu e passa longas horas deitado a meu lado vendo televisão. Deve achar um absurdo tantos tiros, beijos, lágrimas e juras de amor. Gosta de, simplesmente, ficar do meu lado. Ao olhá-lo, tenho uma sensação de conforto. Às vezes se levanta, bota a cabeça nas minhas pernas e eu coço suas orelhas. Sua boca se estica. Tenho a impressão de que é um sorriso.

Há algum tempo começou a ficar doente. Ainda parece saudável. Seu pêlo castanho brilha. Mas surge uma coisa aqui, outra ali. Toma remédio para o coração. Laxantes. Chega a uivar baixinho – huskies não latem.

É a terceira vez que o envio ao veterinário em duas semanas. Agora, nem conseguia ficar em pé, de tão frágil. Sinto angústia só de pensar em sua imensa solidão, longe do tapete onde costuma dormir, sendo picado, mal comendo e, principalmente, sem alguém que lhe acaricie o pêlo. A doença deve ser um mistério para ele mesmo.

O amor de um cão é incondicional. Vejo mendigos na rua acompanhados de cachorros esquálidos que não os abandonam e até os protegem nas noites escuras. Vejo crianças a quem o cão ajuda a conhecer o afeto. Eu sei que meu cachorro está partindo. Se não for agora será daqui a semanas ou meses, pois uma coisa vira outra, e outra. Ou ele não conseguirá resistir ou chegará a um ponto em que terei de dar um nó no coração e abreviar seu sofrimento. Eu tenho de resistir e fazer o melhor. Coçar sua barriga e falar palavras docemente. E, se puder, quando chegar a hora, colocá-lo em meu colo e dizer quanto o amo.

Quando me sentei diante do computador, queria escrever linhas engraçadas, repletas de bom humor. Foi impossível. Meu sentimento falou mais alto. Quem já amou um cão entende minha dor.

[Publicada na Veja São Paulo em 15/11/2006]

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

As aventuras de uma mãe (quase) canina

Ser dona de um cachorro, não é uma tarefa fácil. Fico imaginando se ao invés do animal eu tivesse um filho. Tenho até com urticárias só de imaginar quantos cuidados teria que ter com a criança, e novamente, procrastino a idéia de ser mãe mais uma vez.
Ganhei um Teckel (Daschund) – vulgo salsichinha – de presente de natal bem antecipado. Ele é um bebê. Tem apenas dois meses, completados no dia 25, e requer uma série de cuidados que, até então, inimagináveis.
Vacinas, roupas, banhos, vermífugo, brinquedos e até caminha. E só estou falando de coisas materiais que desfalcam o meu bolso, pois tem coisas que nem o maior milionário do mundo não pode comprar.
Além dos cuidados básicos com a saúde e higiene do animalzinho, há também toda a questão da educação e do carinho de família que o cachorro – no caso, o meu Theo – merece.
Ensinar a não morder, a fazer xixi e cocô no lugar certo. Brincar e até acordar às 4 da madrugada quando os 30 centímetros de cão late na porta do quarto. Segurá-lo em seus braços quando soluça e fazê-lo dormir quando ele está com soninho e pede o seu colo. Por essas e outras, acredito que por mais que doa no bolso a quantidade de reais gastos com o Theo e com os meus outros animais – Ringo, Punk e Joca – e o trabalho, exaustivo às vezes, que eles me dão, o amor que eu sinto por eles e o que eles demonstram por mim paga tudo isso e mais um pouco.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O salsichinha

Theo é um Teckel (Daschund), mais conhecido como salsichinha.
A raça foi desenvolvido, no ano de 1500, pelos alemães para ser um cão de caça. Então uniram agilidade, resistência e o pequeno porte para quepudesse entrar nas tocas de animais e trazê-los para fora, ao alcance da mira do caçador.
Além do corpo alongado e baixo, precisavam de um cão com excelente olfato e muita determinação.
Da Alemanha o animal foi levado para a Inglaterra no século XIX, onde passou a fazer parte da corte inglesa, o que foi de grande importância para a popularização da raça.
Nos Estados Unidos, sua presença começou com a importação de matrizes por volta de 1879 e, no Brasil, chegaram junto com os colonizadores europeus. Aqui foram chamados popularmente de "paqueiros", por serem excelentes caçadores de pacas. Sua popularidade o transformou inclusive em astro de comerciais, como o dos amortecedores Cofap.




Características
A pelagem e o perímetro torácico determinam a variedade à qual o seu Dachshund pertence.

Pelagem: Eles podem ser pêlo curto, pêlo longo e pêlo duro

Theo é um Teckel pêlo curto

Já o perímetro torácico é possível saber somente após os 15 meses. Quando o animal atingir essa idade deve medi-lo com uma fita métrica ao redor do tórax.

Tipo de Dachshund
Circunferência
do peito

Peso Máximo
(aproximado)

Standard
Mais de 35cm
9kg
Anão
De 30 a 35cm
7kg
Miniatura
Até 30cm
5kg

OBS: Theo só pode ser anão ou miniatura, mas isso só saberei daqui 13 meses.
OBS2: Estou lendo sobre a raça, para entender um pouquinho mais das origens do meu cão.